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FAIXA

FAIXA A

Conheça o disco Maria Alice canta Geraldo Espíndola em um descritivo "faixa a faixa" na visão de
Rodrigo Teixeira, jornalista.
FAIXA 01

FAIXA

01

TUIUIÚ-JABURÚ

(Geraldo Espíndola)

Maria Alice recebe Geraldo Espíndola para cantarem juntos “Tuiuiú-Jaburú”, nome da ave símbolo do Pantanal. Segundo o autor, a canção-manifesto é um resumo de sua “posição no problema da preservação ecológica do Pantanal”. Lançada por Geraldo na segunda edição do festival FESSUL, em março de 1980, “Tuiuiú-Jaburú” ficou em terceiro lugar e foi gravada por ele em seus discos de 1991 e 2005.  

 

Tuiuiú chegou no corixo do jacaré

Pousou onde dava pé na beira do Rio Taquari

Logo depois então eu vi

Um jaburu voar de mansinho

Posando p’ruma fotografia

Quase fim do dia bem colorido no pé da serra

Na primavera é tão bonito tanto bicho

Vivendo livre por ali naquelas barrancas do Taquari

Da até vontade de virar índio

Ficar contente, tirar a roupa

Entrar no rio, pegar curimbatá

Sem medo de arraia

É demais linda a natureza

Que não me traia, seja legal

Como meus amigos, minha mulher

E meu filho novo

Este sim terá um grande gozo

Se preservarmos o Pantanal

Pantanal do Tuiuiú-Jaburú

Pantanal do bugio, da onça e do jaú

 

Maria Alice: voz

Gabriel Basso: baixo

Gabriel de Andrade: violão

Geraldo Espíndola: voz

João Pedro: bateria

Pedro Ortale: violão

Rennã Nonnato: acordeon

FAIXA 02

(Geraldo Espíndola)

02

VIDA CIGANA

FAIXA

Com dezenas de regravações, “Vida Cigana” recebe pela primeira vez tratamento de bossa nova na voz de Maria Alice. Geraldo estava em São Paulo quando escreveu em 1977 uma carta para sua esposa Dalila. Voltando para Campo Grande, releu o que havia escrito na carta e compôs “Vida Cigana”. Lançada em 1980 no primeiro disco solo de Tetê Espíndola, a música tornou-se sucesso nacional na versão pagodeira do Raça Negra em 2000. 

Oh, meu amor não fique triste
Saudade existe pra quem sabe ter
Minha vida cigana me afastou de você
Por algum tempo que eu vou ter que viver por aqui 
Longe de você, longe do seu carinho e do seu olhar 
Que me acompanha tem muito tempo
Penso em você a cada momento
Sou água de rio que vai para o mar
Sou nuvem nova que vem pra molhar essa noiva que é você
Para mim você é linda
A dona do meu coração
Que bate tanto quando te vê
É a verdade que me faz viver
Meu coração bate tanto quando te vê
É a verdade que me faz viver por aqui

Maria Alice: voz 
Gabriel de Andrade: violão 
João Pedro: percussão 
Milene Castro: clarinete
Pedro Ortale: violão 

FAIXA 03

(Geraldo Espíndola) 

03

QUYQUYHO

FAIXA

Maria Alice recebe a rapper indígena Anarandá MC em “Qhyqhyho”. A canção de Geraldo foi lançada em 1982 no LP “Prata da Casa” e surpreendeu por ser a primeira música autoral de MS a ter como base o ritmo do reggae. Geraldo inspirou-se no nome de um pequeno povoado paraguaio chamado Qhyqhyho para criar uma letra mítica e fabulosa em que os irmãos Tupi e Guarani “lutam contra o branco em busca de servidão”.   

Quyquyho nasceu no centro entre montanhas e o mar
Quyquyho viu tudo lindo, tudo índio por aqui
Indiamérica deu filhos foi Tupi, foi Guarani
Quyquyho morreu feliz deixando a terra para os dois
Guarani foi pro sul, Tupi pro norte
E formaram suas tribos cada um no seu lugar
Vez em quando se encontravam pelos rios da América
E lutavam juntos contra o branco em busca de servidão
E sofreram tantas dores acuados no sertão
Tupi entrou no Amazonas, Guarani ainda chama
Quyquyho na lua cheia quer Tupi, quer Guarani

Maria Alice: voz 
Ana Ferreira: teclado
Anarandá MC: Declamação performance
Gabriel Basso: baixo
Gabriel de Andrade: guitarra 
João Pedro: bateria 
Jool Azul, Ju Souc e Karla Coronel: vocal  

FAIXA 04

(Geraldo Espíndola)

04

CUNHATAIPORÃ

FAIXA

“Cunhataiporã” é uma das músicas mais significativas de Geraldo Espíndola. Ela foi composta em 1977 em uma viagem de trem de Campo Grande para Ponta Porã do compositor com a namorada e futura esposa Dalila, que ensinou a Geraldo algumas palavras em guarani como as que estão na letra: “cuñatai porã” (moça bonita) e “chero rai ro” (eu te amo). “Cunhataiporã” foi lançada por Tetê Espíndola em 1980 em seu primeiro LP solo. Em 1981, Geraldo Espíndola traz sua versão para a música no raro videoclipe produzido para o Especial Velhos Amigos, da TV Morena. O cantor Zeca Baleiro grava a canção em 2014.

 

Onde você quer ir meu bem?

Diga logo pra eu ir também

Você quer pegar aquele trem?

É naquele trem que eu vou também

É pra Ponta Porã

Cunhataiporã chero rai ro

É pra Corumbá

É lá que eu vou pegar um barco

E descer o Rio Paraguai

Cantando as canções que não se ouvem mais

 

Maria Alice: voz

Gabriel Basso: baixo

Gabriel de Andrade: violão

João Pedro: bateria

Jool Azul, Ju Souc e Karla Coronel: vocal 

Pedro Ortale: violão

Rennã Nonnato: acordeon

FAIXA 05

(Geraldo Espíndola)

05

É NECESSÁRIO

FAIXA

“É Necessário” está entre as baladas icônicas de Geraldo Espíndola. As metáforas da letra constroem um clima lúdico típico das músicas românticas do artista. Composta em 1972, a canção foi gravada em 1978 como primeira faixa do LP “Tetê e O Lírio Selvagem”. O primeiro da carreira dos irmãos Tetê, Geraldo, Alzira e Celito Espíndola.  Ganhou versões do violeiro Almir Sater, em 1993, da cantora Amelinha, em 2012, e do próprio Geraldo no CD “Espíndola Canta”, de 2004.

 

É necessário você

Preparar seu amor

Arrumar sua cama

Acender sua chama

Para me receber esta noite

Para não pretender mais que sou

Para se proteger

Disso tudo seu pavor

Ninguém vai nos fazer mal.

 

Quando você cai dentro

Do meu coração

É como se o sol e a lua

Se esparramassem pelo chão

 

É importante você

Me saber acolher

Como eu colho em você

Esperanças de querer

Me deitar ao seu lado de noite

E deixar que a paixão

Me domine num abraço pretender

Ser mais forte do que as leis

Que me prendem a você

 

Quando você cai dentro

Do meu coração

É como se o sol e a lua

Se esparramassem pelo chão...

 

Maria Alice: voz

Gabriel de Andrade: violão

João Pedro: bateria

Jool Azul, Ju Souc e Karla Coronel: vocal 

Marcelo Ribeiro: baixo

Pedro Ortale: violão

Rennã Nonnato: acordeon

FAIXA 06

(Geraldo Espíndola)

06

FALA BONITO

FAIXA

Da leva oitentista de canções de Geraldo Espíndola, “Fala Bonito” traz expressões típicas daquele início dos anos 1980 em uma espécie de tratado libertário romântico, “o meu prazer é te ver por aí numa boa dando alegria aos meus olhos”. O clima é de uma balada salpicada de blues e reggae que revela a habilidade de Geraldo em misturar gêneros. Pedro Ortale já havia gravado ao vivo a música em 1983, durante I Festival de Música Mercosul, como baixista da banda de Geraldo, que regrava “Fala Bonito” no disco “Espíndola Canta”, em 2004.

Fico tomando esse vento na cara
E pensando no que você vai me dizer

O meu prazer é te ver por aí numa boa
Dando alegria aos meus olhos

 

Fala bonito aqui perto de mim
Fala pra mim quando é que você
Vem pro meu navio

Adoro navegar nas suas águas sempre tão fatais
 

Sempre tão fatais

Oh oh oh oh oh
Fala pra mim amor
Oh oh oh oh oh
Fala fala não cala não
Oh oh oh oh oh
Fala fala não cala não não

 

Quando você toma conta de mim numa boa
Sinto arrepios de verão

Fico tomado com sua presença
Menina que mora dentro do meu coração
Que sempre pede assim

 

Fala bonito aqui perto de mim
Fala pra mim quando é que você
Vem pro meu navio

Adoro navegar nas suas águas sempre tão fatais
 

Maria Alice: voz

Gabriel Basso: baixo

Gabriel de Andrade: guitarra

João Pedro: bateria

Jool Azul, Ju Souc e Karla Coronel: vocal 

Pedro Ortale: violão

Rennã Nonnato: acordeon

FAIXA 07

(Geraldo Espíndola)

07

DEIXEI MEU MATÃO

FAIXA

Geraldo Espíndola foi um dos primeiros a escrever blues em português na música popular brasileira. A prova é “Deixei Meu Matão”, composta em 1972, quando o jovem artista tinha apenas 20 anos. A letra é um lamento de saudade da terra natal distante (o Matão) e as velhas amizades, os campos e vacas deixadas por lá. Pioneiro do gênero no país, Geraldo registrou o blues em seu primeiro LP em 1991 e gravou a música com a madrinha Elza Soares em 2004. A irmã Tetê foi quem lançou “Deixei Meu Matão” em 1986.

 

Quando eu vim, ninguém sorria pra mim
Quando deixei aquilo lá e vim pra cá

Não chorei não, graças a Deus

Deixei meu Matão, deixei meu Matão, deixei meu Matão

 

Vou sentir saudade da velha amizade
Dos campos e vacas de lá
Ai mamãe não quero chorar
Os amigos poucos do meu coração
Que vai se tratar, que vai se tratar, que vai se tratar

 

Se ando sozinho é porque
Não curto flor sem espinhos
Toda essa manhã estranha
Não chega aos pés do amorzinho

Gozei meu Matão, gozei meu Matão, gozei meu Matão

 

Maria Alice: voz

Gabriel Basso: baixo

Gabriel de Andrade: guitarra

João Pedro: bateria

Jool Azul, Ju Souc e Karla Coronel: vocal 

Pedro Ortale: violão

FAIXA 08

(Geraldo Espíndola)

08

EM PIRA LENTA

FAIXA

Geraldo Espíndola foi um dos primeiros a escrever blues em português na música popular brasileira. A prova é “Deixei Meu Matão”, composta em 1972, quando o jovem artista tinha apenas 20 anos. A letra é um lamento de saudade da terra natal distante (o Matão) e as velhas amizades, os campos e vacas deixadas por lá. Pioneiro do gênero no país, Geraldo registrou o blues em seu primeiro LP em 1991 e gravou a música com a madrinha Elza Soares em 2004. A irmã Tetê foi quem lançou “Deixei Meu Matão” em 1986.

 

Quando eu vim, ninguém sorria pra mim
Quando deixei aquilo lá e vim pra cá

Não chorei não, graças a Deus

Deixei meu Matão, deixei meu Matão, deixei meu Matão

 

Vou sentir saudade da velha amizade
Dos campos e vacas de lá
Ai mamãe não quero chorar
Os amigos poucos do meu coração
Que vai se tratar, que vai se tratar, que vai se tratar

 

Se ando sozinho é porque
Não curto flor sem espinhos
Toda essa manhã estranha
Não chega aos pés do amorzinho

Gozei meu Matão, gozei meu Matão, gozei meu Matão

 

Maria Alice: voz

Gabriel Basso: baixo

Gabriel de Andrade: guitarra

João Pedro: bateria

Jool Azul, Ju Souc e Karla Coronel: vocal 

Pedro Ortale: violão

FAIXA 09

(Geraldo Espíndola) 

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NÃO VIOLÊNCIA

FAIXA

Maria Alice pinça para o repertório do álbum a pérola “Não Violência”, canção-manifesto pouco conhecida da obra de Geraldo Espíndola. Feita nos anos 1990, a balada revela a veia pacifista do compositor ao clamar pela urgente paz mundial. Com a crescente escalada armamentista mundial, “Não Violência” torna-se cada vez mais atual e utópica ao declarar que “a Era que era do homem fera passou”.

 

Não violência, não violência, não violência não

De que adianta ter paciência?

Se a violência está dentro de ti

Como as raízes de uma árvore para o chão

Do que adianta lutar por tanta, natureza dentro e fora?

Se os teus homens tão lunares, querem usinas nucleares

Pra ter nas mãos o medo invisível, violência imprevisível

Derretam balas e canhões e artefatos de guerra

Façam as pazes entre nações, vamos nos amar na Terra

Que a Era que era do homem fera passou

 

Não violência, não violência, não violência não

Tire esse peso da consciência, acabe já com a violência

Que te domina, te alucina, que nos leva a dormência

Da morte por tiro, por bombas dos tiranos

Derretam balas e canhões e artefatos de guerra

Façam as pazes entre nações, vamos nos amar na Terra

Que a Era que era do homem fera passou

 

Maria Alice: voz

Gabriel Basso: baixo

Gabriel de Andrade: violão

João Pedro: bateria

Jool Azul, Ju Souc e Karla Coronel: vocal 

Pedro Ortale: violão

Rennã Nonnato: acordeon

FAIXA 10

(Geraldo Espíndola/Almir Sater)

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PUREZA

FAIXA

Maria Alice retira do baú de Geraldo Espíndola uma das únicas parcerias do compositor com o violeiro Almir Sater. “Pureza” é influenciada pelos ritmos ternários da fronteira e nunca foi gravada por Geraldo. A letra é um manifesto pró Natureza e um alerta quanto a sabedoria indígena na relação respeitosa com a mãe Terra, evocando a popular guavira, fruta típica do Cerrado, como símbolo desta natureza que queremos no nosso quintal.

 

Olha vê quanta pureza na selva deste país

Preste um pouco de atenção

Nas coisas que o índio diz

Ele sabe que a terra dá o rio limpo

Que dá comida e ar puro pra alimentar

Quem sabe viver o presente

Pensa o futuro da gente

 

Como nós e nossos pais

Desta Era industrial

E pensamos que isso fosse assim fenomenal

Hoje temos tanta água ruim, fumaça nos ares o fim

Temos que deter agora a destruição

Usar a inteligência e o coração

Deixar o que é vida pra vida

Deixar o que é vida viver

 

Você que já brincou numa árvore ali nos matos

Sabe que o prazer de uma fruta é um doce fato

Se liguem nas crianças que tem no homem a esperança

De saber a natureza coisa real

E que nunca nos fez mal sempre ajudou

Até quem só desprezou

 

Eu quero saber o sabor de uma guavira

Dizem que ninguém esquece o cheiro de um guaviral

Quero sentir bem perto a brisa de um pomar

Quero toda natureza no meu quintal

Ah! Isso é tão natural...

 

Maria Alice: voz

Gabriel Basso: baixo

Gabriel de Andrade: violão

João Pedro: bateria

Jool Azul, Ju Souc e Karla Coronel: vocal 

Pedro Ortale: violão

Rennã Nonnato: acordeon

FAIXA 11

(Geraldo, Humberto e Jerry Espíndola)

11

MIXÓRDIA

FAIXA

Maria Alice conta com a participação de Humberto Espíndola em “Mixórdia”. Ele é um dos autores da rara triceria com os irmãos Geraldo e Jerry, que não gravaram o rock em seus trabalhos solos. Composta na década de 1990, “Mixórdia” foi lançada no CD do grupo Mandioca Loca em 2009. A versão do álbum de Maria Alice ganha um arranjo que mistura a base roqueira com jazz e a performance de Humberto, retirada de uma antiga gravação caseira.     

 

Mixórdia, mixórdia, mixórdia

 

Mixórdia de amor nesta sua cama

Que me fez perder a minha grande dama

E me proclamo vítima

Vítima, vítima, vítima

Que moral é esta que não me deixa gozar?

Que amor é este que eu não pude levar?

Bato-me no peito, insatisfeito

 

Mixórdia, mixórdia, mixórdia

 

Mixórdia afinal é xingamento

E me pergunto por que?

Alguém é culpado de tudo

Será eu, ninguém ou você?

E me proclamo vítima 

Vítima, vítima, vítima

Que moral é esta que não me deixa gozar?

Que amor é este que eu não pude levar?

Bato-me no peito, insatisfeito

 

Maria Alice: voz

Gabriel Basso: baixo

Gabriel de Andrade: guitarra

Humberto Espíndola: Declamação performance

João Pedro: bateria

Jool Azul, Ju Souc e Karla Coronel: vocal 

Pedro Ortale: violão

FAIXA 12

(Geraldo Espíndola)

12

ROSA EM PEDRA DURA

FAIXA

Maria Alice interpreta com segurança “Rosa em Pedra Dura”, uma das mais complexas canções de Geraldo Espíndola. Ela recebe seu filho João Pedro para dividir os vocais e assinar o arranjo da música. Composta em 1979 e lançada por Tetê Espíndola no ano seguinte, a composição tem uma letra que confirma porque Geraldo é considerado o poeta de sua geração e uma melodia herdada da música clássica, Tom Jobim e Heitor Villa-Lobos. Geraldo gravou a canção em 2004. A paisagem que inspirou a música é a de Rio Verde, cidade do interior de MS que é abundante em rios cristalinos com tons esverdeados, muitas cachoeiras e quedas d’água.

 

Água verde, pedras que são quedas

Que nos fazem ir mergulhar nesse rio

Corpo molhado esguio

Jovem moça desce o rio comigo

Conhece, quer meu abraço amigo

Nossos beijos de figos maduros

Roxos, cor de coração por dentro

 

Céu, luz, verão

Teu olhar é a noite no dia dentro de mim

Morena, água doce quente de sol

É o calor que me faz assim

Rosa em pedra dura

Tanto bate que perfuma

 

Água de nascente, olhos da minha mente

Molha ela de repente

Enquanto sou a semente no corpo estendido e revolto

 

Maria Alice: voz

Ana Ferreira: teclado

Gabriel Basso: baixo

Gabriel de Andrade: violão

João Pedro: voz

Milene Castro: clarinete

Pedro Ortale: violão

FAIXA 13

(Geraldo Espíndola)

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DESESPERADA NA RUA

FAIXA

Maria Alice escolhe outro blues marcante de Geraldo Espíndola: “Desesperada na Rua”. Composta no início da década de 1990, a letra revela a potência do autor em conseguir construir cenários e paisagens a partir de visões pessoais que se ligam a experiências coletivas. O arranjo renova a canção ao fazer a transição do compasso marcado de blues para uma levada ternária de polca. “Desesperada na Rua” foi gravada por Geraldo somente em 2014 no CD “O Pássaro do Pântano”.

 

Me sinto andando e chorando

Por uma dor que não é sua

É de ninguém, eu quero alguém

Nenhum amigo me vem

Por dentro meu corpo sua

Desesperada na rua

Nenhuma esperança

Por estar tanto na sua

Sou fera que não amansa

Sou fera que não amansa

Agora é que você dança

 

Hoje é um outro dia

Que parece nunca passar

Cansada de amar eu grito

A dor de ouvido dos aflitos

Ontem foi pouco que eu saiba

Pensava até ser bacana

Mas, meu amor é o sacana

De uma casa de tábua

 

Nem só de pau vive o homem

Nem sempre águas dão peixe

Não são meus olhos que somem

Num labirinto de deixe

 

Deixe-me amar, desesperada de lua

Amargurada e na sua

Desesperada na rua

 

Maria Alice: voz

Anderson Rocha: guitarra

Gabriel Basso: baixo

Gabriel de Andrade: guitarra

João Pedro: bateria

Jool Azul, Ju Souc e Karla Coronel: vocal 

Pedro Ortale: violão

FAIXA 14

(Geraldo Espíndola)

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FORASTEIRO

FAIXA

Maria Alice faz uma interpretação brejeira de “Forasteiro”, canção emblemática de Geraldo Espíndola. A música foi composta em 1985 e venceu o concurso da Fiat pela região Centro-Oeste em 1989. A composição é mergulho no Brasil profundo, colocando como protagonista uma personagem icônico que é o forasteiro, elemento decisivo na dinâmica social e cultural e que influenciou no desenvolvimento da fronteira sul-mato-grossense.

 

Forasteiro das estradas

Brilhantes desse mar

Reflexo pantaneiro

Daqueles homens primeiros

A caminhar com onças

A olhar os jacarés

Tuiuiús e buritis

 

Seja bem-vindo a esta casa

Passe pra dentro forasteiro

Descanse seu cansado cavalo

Na frente dessas portas

Venha comer desta comida

Que a natureza é hospitaleira

 

Com forasteiros do seu porte

Quem enfrentou a morte sem matar

Merece namorar o coração de minhas filhas

Passe prá dentro forasteiro

Fique com minha gente esta noite

E esqueça o que sofreu

 

Maria Alice: voz

Gabriel Basso: baixo

Gabriel de Andrade: violão

Jool Azul, Ju Souc e Karla Coronel: vocal 

Pedro Ortale: violão

Renã Nonnato: acordeon

Maria Alice • Sann Impressos e Digitais.

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